A bíblia diz: Jesus não vai voltar!

04/03/2017 07:18

Na Bíblia existem muitas profecias, mas sem dúvida a mais conhecida e celebrada é a que fala do Juízo Final e da Segunda Vinda de Jesus Cristo para recolher todos aqueles que creram nele como o filho de Deus e dar-lhes o "reino dos céus" e a "vida eterna" como recompensa.

Aqui cabe uma pergunta constrangedora: SEGUNDO A BÍBLIA, ISSO JÁ NÃO ERA PARA TER ACONTECIDO?

Como vai ser demonstrado, segundo a Bíblia, Jesus realmente quis dar a entender que O SEU RETORNO ERA IMINENTE E ACONTECERIA AINDA NO TEMPO DE VIDA DE ALGUNS DOS SEUS DISCÍPULOS.

1. Jesus estabelece o prazo para sua volta:

Nos evangelhos sinóticos (Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21), Jesus faz uma extensiva e detalhada descrição sobre o fim do mundo e sobre a sua segunda vinda. E conclui dizendo:

Mateus 24:34 — "Em verdade vos digo que NÃO PASSARÁ ESTA GERAÇÃO sem que TODAS essas coisas se cumpram." (Também em Marcos 13:30 e Lucas 21:32)

Jesus teria dito isto por volta do ano 33 E.C., no século I. Conseqüentemente, A PROFECIA DEVERIA TER-SE CUMPRIDO ATÉ MEADOS DO SÉCULO II E.C., quando morreu a última pessoa de sua geração.

Algumas pessoas tentam defender essa constrangedora profecia não cumprida dizendo que ela apenas se refere à destruição de Jerusalém ocorrida no ano 70 E.C. Porém, a palavra "todas" torna esse argumento pouco convincente: O segundo advento, mencionado como seqüência — e CLÍMAX das tribulações — TAMBÉM deve fazer parte do cumprimento da profecia.

Outra tentativa de defesa é dar à palavra "geração" uma interpretação atemporal, fazendo-a referir-se ao POVO JUDEU ou à CRISTANDADE, por exemplo. Porém, vejamos o que diz a NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE, publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil no ano 2000. A NTLH busca difundir o conhecimento do texto bíblico facilitando a legibilidade ao evitar o uso de "palavras difíceis". Neste versículo em particular, ela evita o uso da palavra "geração", exprimindo seu significado no contexto original por outras palavras:

Alguns julgam enxergar uma escapatória deste prazo na continuação do capítulo:
Mateus 24:36 — "Mas DAQUELE DIA E HORA NINGUÉM SABE, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai." (Também Marcos 13:32)
Mateus 24:42 — "Vigiai, pois, porque NÃO SABEIS A QUE HORA há de vir o vosso Senhor." (Também em Marcos 13:33)

Só que isto NÃO NEGA O PRAZO estipulado acima. Apenas ACRESCENTA que — DENTRO DESSE PRAZO — o MOMENTO EXATO da vinda permaneceria um mistério. Jesus poderia voltar A QUALQUER INSTANTE e portanto os seguidores de Jesus deveriam permanecer vigilantes, e não deixar para se prepararem só perto do fim do prazo, quando estivessem velhinhos.

E ainda que alguma dessas manobras chegasse perto de convencer, O PRAZO É CONFIRMADO por outras palavras atribuídas a Jesus em outra passagem replicada nos três evangelhos sinóticos:

Mateus 16:27–28 — "Porque o Filho do homem há de VIR NA GLÓRIA de seu Pai, com os seus anjos; E ENTÃO RETRIBUIRÁ a cada um segundo as suas obras. Em verdade vos digo, alguns DOS QUE AQUI ESTÃO NÃO PROVARÃO A MORTE ATÉ QUE VEJAM VIR O FILHO DO HOMEM no seu REINO." (Também em Marcos 8:38–9:1 e Lucas 9:26–27)

Outra passagem atribuída a Jesus se refere ao prazo para seu segundo advento:

Mateus 10:23 — "Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que NÃO ACABAREIS DE PERCORRER AS CIDADES DE ISRAEL SEM QUE VENHA O FILHO DO HOMEM."

Embora esta passagem não cite o prazo de uma geração, é perfeitamente condizente com ela. UMA GERAÇÃO seria tempo suficiente para que a "boa nova" de Jesus fosse anunciada em MENOS DA TOTALIDADE das cidades de Israel. É até inconcebível que TODAS as cidades de Israel já não tenham ATÉ HOJE sido visitadas por cristãos pregando o evangelho!

Também CAIFÁS deveria presenciar a vinda de Jesus do céu:

Mateus 26:64 — Respondeu-lhe Jesus: "É como disseste; contudo vos digo que VEREIS EM BREVE o Filho do homem assentado à direita do Poder, e VINDO SOBRE AS NUVENS do céu." (Também em Marcos 14:62)

Nada disso aconteceu.

2. Primeiros cristãos acreditavam que presenciariam o segundo advento:

João 21:22–23 — "Se eu quiser QUE ELE FIQUE ATÉ QUE EU VENHA, que tens tu com isso? Segue-me tu." Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não disse que não morreria, mas: "SE EU QUISER que ele fique até que eu venha, que tens tu com isso?"

Note que o evangelho de João foi escrito tardiamente (entre os anos 90 e 120 E.C.), depois que o tal discípulo acabou — como era de se esperar — morrendo sem que Jesus voltasse. Por isso houve tempo para acrescentar a ressalva do "se eu quiser". Mas a passagem é reveladora ao mostrar que, entre os primeiros cristãos, EXISTIA a idéia de que Jesus viria durante o tempo de vida de pelo menos um de seus discípulos diretos, ou não criariam tal expectativa.

Paulo diz que a ressurreição dos mortos aconteceria antes que todos "dormissem" (i.e., "morressem"), referindo-se ao prazo estipulado por Jesus:

1 Coríntios 15:51–52 — "Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, NEM TODOS DORMIREMOS, MAS TODOS SEREMOS TRANSFORMADOS, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e OS MORTOS RESSUSCITARÃO incorruptíveis, e nós seremos transformados."

Paulo se inclui entre os que irão testemunhar a vinda de Jesus. Note o seu uso do pronome "nós":

1 Tessalonicenses 4:14–15 — Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que NÓS, OS QUE FICARMOS VIVOS para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. [...]

Os romanos que crucificaram Jesus iriam presenciar sua volta:

Apocalipse 1:7 — Eis que vem com as nuvens, e TODO O OLHO O VERÁ, ATÉ OS MESMOS QUE O TRASPASSARAM; [...]

3. Primeiros cristãos acreditavam já viver os "últimos tempos":

Paulo de novo usa o pronome "nós":

1 Coríntios 10:11 — Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso NOSSO, PARA QUEM JÁ SÃO CHEGADOS OS FINS DOS SÉCULOS.

Hebreus 9:26 — [...] MAS AGORA NA CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.

Hebreus 10:25 — Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto VEDES QUE SE VAI APROXIMANDO AQUELE DIA.

Bem, eles acreditavam "ver" os "sinais" dos últimos tempos acontecendo à sua volta, JÁ EM SUA ÉPOCA: Profecias, visões e sonhos inspirados pelo Espírito Santo...

Atos 02:15–17 — Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E NOS ÚLTIMOS DIAS acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos.

...e gente zombando dos cristãos pela demora em Jesus voltar...

2 Pedro 3:3–4 — [...] NOS ÚLTIMOS DIAS virão escarnecedores com zombaria andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: "Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação."

É engraçado notar que 2 Pedro 3 é um texto tardio (entre 100 e 160 E.C.) escrito justamente para acalmar os cristãos diante do constrangimento da demora e do escárnio, dizendo que a demora é devida à bondade de Deus, para que mais gente possa salvar-se, só que ele NÃO RESOLVE o problema do prazo:

2 Pedro 3:8 — Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que UM DIA para o Senhor É COMO MIL ANOS, E MIL ANOS COMO UM DIA.

Jesus não estabeleceu o prazo para sua volta em termos de "dias" ou "anos". O prazo é o TEMPO DE VIDA de sua geração ou, mais precisamente, de seus seguidores. Provavelmente alguns cristãos acabaram expressando esse prazo em termos de anos, e o texto tratou de desabonar essas especulações. Mas o prazo realmente dado por Jesus não foi solucionado aqui.

Também a presença de "muitos anticristos" lhes convencia de estarem nos últimos tempos — ou melhor, na ÚLTIMA HORA!

1 João 2:18 — Filhinhos, É A ÚLTIMA HORA. Como ouviste dizer, o Anticristo está para chegar, mas JÁ AGORA há muitos Anticristos, donde SABEMOS que É A ÚLTIMA HORA.

(Se um dia para o Senhor é como mil anos, uma hora seria o quê, 1000 ÷ 24 = aproximadamente 42 anos?)

4. Declarações genéricas sobre a iminência do segundo advento:

João 5:25 — "Vem a hora, E AGORA É, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus."

Romanos 16:20 — E o Deus de paz esmagará EM BREVE Satanás debaixo dos vossos pés.

Paulo até mesmo sugeriu que não se fizessem planos para o futuro:

1 Coríntios 7:29–31 — Isto, porém, vos digo, irmãos, que O TEMPO SE ABREVIA; pelo que, doravante, os que têm mulher sejam como se não a tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que folgam, como se não folgassem; os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não usassem em absoluto, porque a aparência deste mundo passa.

Hebreus 10:37 — Pois ainda em BEM POUCO TEMPO, aquele que há de vir, virá, e NÃO TARDARÁ.

Tiago 5:7–8 — Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque A VINDA DO SENHOR ESTÁ PRÓXIMA.

1 Pedro 4:7 — Mas já ESTÁ PRÓXIMO O FIM DE TODAS AS COISAS, por tanto sede sóbrios e vigiai em oração

O Apocalipse, por ser justamente uma profecia simbólica da volta triunfante de Jesus, abunda em avisos sobre sua iminência.

Apocalipse 1:1 — Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que BREVEMENTE devem acontecer;
Apocalipse 1:3 — Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO.
Apocalipse 3:11 — "Venho SEM DEMORA".
Apocalipse 22:12 — "Eis que CEDO venho".
Apocalipse 22:20 — Aquele que testifica essas coisas diz: "Certamente CEDO venho."
Apocalipse 27:7 — "Eis que CEDO venho".

Os primeiros cristãos acreditavam que era necessário estar vivo para ser salvo, se desesperavam pelos parentes que morriam e demonstravam impaciência pela demora de Jesus.

Na cidade de Tessalônica os cristãos estavam tristes com a morte de alguns por acharem que não seriam salvos por terem morrido. Era lógico pensar assim porque o testemunho dos apóstolos dizia que Jesus voltaria (1) enquanto estivessem evangelizando, (2) durante a vida de alguns dos seus ouvintes e (3) naquela geração. Então o apóstolo Paulo precisou consolá-los com as seguintes palavras:
"Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais (...), os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor." (I Tessalonissenses 4:13-18).

Conforme o texto supracitado, Paulo levanta a hipótese de que alguns leitores de sua carta e ele mesmo ainda estariam vivos na volta de Jesus, e os que tivessem morrido ressuscitariam para serem salvos juntamente com os que haviam permanecido vivos. Observe que Paulo não cria uma (segunda) ilusão de salvação futura, milênios depois, como os cristãos atuais esperam em vão.

Em outra ocasião, na segunda carta universal de Pedro, ele faz referência a impaciência de alguns acerca da volta de Jesus e tenta explicar tal demora argumentando que Jesus não estava retardando a sua volta, mas aguardava a conversão de todos que deveriam ser salvos sem deixar de cumprir a promessa (II Pe 3.9). Qual promessa? Que voltaria logo, enquanto os apóstolos estivessem vivos, não 100 nem 2.000 ou 4.000 anos depois.
Registros tardios sobre Jesus demonstram a crença em sua volta iminente

Estudos históricos e arqueológicos revelam que somente em torno de 50 anos após a morte de Jesus começaram a surgir no seio do povo proto-evangelhos em nome dos apóstolos. Qual o motivo desta demora na compilação dos Evangelhos e de todo o Novo Testamento? A resposta está na convicção que os evangelistas e os apóstolos tinham de ainda estarem vivos e evangelizando no evento da volta de Jesus conforme este ensinara, não havendo necessidade de registros escritos. Mas, ao perceberem que após décadas seu mestre não retornara, alguns resolveram registrar suas crenças em pergaminhos antes que viessem a falecer.

Conclusão:

Teria Jesus mentido? Ou na verdade ele era apenas um homem com "boas" intenções?
Se Jesus tinha a personalidade e o caráter apresentados na Bíblia, é pouco provável que tenha mentido para incentivar os apóstolos à evangelização, que tenha olhado cinicamente nos seus olhos e os tenha enganado dizendo que alguns presentes estariam vivos no seu retorno. É difícil acreditar que 12 pessoas tenham entendido mal as orientações de alguém que conheciam e mantinham grande amizade durante anos, e passaram a pregar, por engano, que ele voltaria naquela geração. A existência de textos bíblicos contradizentes às palavras de Jesus sobre sua volta iminente é explicada, primeiro, pela dificuldade de seus seguidores em admitir que alguém tão singular tenha cometido um engano e, segundo, pelas alterações sofridas pelo Novo Testamento durante os 4 primeiros séculos da era cristã, cessadas tardiamente somente após o concílio de Cartago III no ano de 397 d.C., o qual foi uma tentativa desesperada dos líderes cristãos da época para cessar as constantes alterações que todos os livros e cartas do Novo Testamento vinham sofrendo. É razoável pensar que se Jesus existiu era humano e cometeu naturalmente equívocos por um ideal. O fato de a própria Bíblia conter evidências de que Jesus deveria ter voltado para seus contemporâneos, conforme suas próprias palavras, deveria ser motivo de séria reflexão para aqueles que hoje investem suas vidas, tempo e dinheiro no cristianismo.