As raízes bíblicas do islã

07/03/2017 09:52

Apesar de sabermos que os muçulmanos acreditam em Maomé e no alcorão, e que o alcorão é totalmente distinto da bíblia, muitos ignoram (ou desconhecem) que o islamismo tem suas raízes nos textos bíblicos. Os muçulmanos não aceitam a bíblia atual em sua totalidade como revelação de deus, mas citam profetas e utilizam de figuras bíblicas dentro de sua crença.

Eis um breve resumo da história de Maomé segundo a visão islâmica:
“Foi no ano de 570 da Era Cristã que o Profeta Muhammad (Maomé), nasceu em Meca, uma cidade na atual Arábia Saudita. O Profeta Muhammad estava em solidão na caverna no Monte Hira. Foi surpreendido pelo Anjo da Revelação, Gabriel, o mesmo que tinha vindo para Maria, a mãe de Jesus, que o segurou em um abraço. Uma única palavra de comando irrompeu sobre ele: ‘Iqra’ - ‘Leia!’ Ele disse: ‘Não sei ler!’ mas o comando foi emitido mais duas vezes, cada vez com a mesma resposta do Profeta. Finalmente ele foi pego com força esmagadora pelo anjo. Gabriel o libertou e a primeira “recitação” do Alcorão foi revelada a ele.”

Completando com um pouco de história segundo o professor Felipe Aquino:
“Maomé nunca se apresentou como o fundador de uma religião nova, e, sim, como o novo profeta de tradições mais antigas; a teologia que ele ensinou, deriva-se de três blocos religiosos anteriormente existentes:

1) A antiga religião Árabe, de índole politeísta. Cultuava pedras ”divinas”, consideradas como mansões de seres superiores, cujas graças os homens procuravam atrair a si. Um resquício deste culto é a veneração da “Pedra Negra”, situada na Caaba em Meca;
2) A religião israelita, professada por judeus residentes na Arábia, onde se entregavam ao comércio e à agricultura. Foi desse patrimônio judaico que Maomé derivou as grandes linhas de sua orientação religiosa: existe um só Deus, que se foi revelando aos profetas da humanidade: Adão, Abraão, Moisés, Jesus Cristo, e consumou a sua revelação por meio de Maomé, o maior de todos os profetas. A inserção de Maomé na linha do judaísmo explica o uso da bíblia no ensinamento islamítico assim como certos costumes muçulmanos (as purificações legais, a observância do talião, a poligamia). 
3) A religião dos cristãos: Maomé a conheceu principalmente em suas viagens. Tais cristãos eram geralmente nestorianos e monofisitas.”

Para dar sustentabilidade a sua história o islamismo utilizou largamente os escritos bíblicos.

Os muçulmanos alegam que essa profecia bíblica se refere a Maomé:
'Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.'
Deuteronômio 18:18


“O verso em discussão é explícito ao dizer que o profeta virá de entre os Irmãos dos judeus. Abraão tinha dois filhos: Ismael e Isaque. Os judeus são os descendentes do filho de Isaque, Jacó. Os árabes são os filhos de Ismael. Portanto, os árabes são os irmãos da nação judaica. A Bíblia afirma:
‘E ele (Ismael) habitará fronteiro a todos os seus irmãos.’ (Gênesis 16:12)
‘E ele (Ismael) morreu fronteiro a todos os seus irmãos.’ (Gênesis 25:18)
Os filhos de Isaque são os irmãos dos ismaelitas. Da mesma forma, Muhammad é de entre os irmãos dos israelitas, porque ele era um descendente de Ismael, o filho de Abraão.”

Conforme a crença islâmica:
“Judeus e cristãos da Arábia pré-islâmica esperavam por um profeta. Antes do aparecimento de Muhammad, a Arábia era o lar de judeus, cristãos e árabes pagãos que, na ocasião, estavam em guerra uns com os outros. Quando Muhammad efetivamente apareceu, alguns deles acreditaram nele, e alguns se recusaram.”

Fonte: www.islamreligion.com

É perceptível que a religião islâmica se utilizou dos mesmos métodos empregados pelo judaísmo e pelo cristianismo para a construção de suas crenças, o sincretismo é evidente.
Chega a ser impressionante a maneira como eles utilizaram a crença judaico-cristã como alicerce para criar uma nova religião. 
Talvez pareça estranho quando vemos hoje essa religião crescendo e se espalhando pelo mundo, mas a diferença é que hoje nós temos acesso às informações, o que o islã está fazendo hoje é o mesmo que a igreja católica apostólica romana fez no passado, inclusive no quesito de perseguir, torturar e matar os chamados infiéis.

Os cristãos irão dizer que Maomé é na verdade um anticristo, o falso profeta do apocalipse e que ele distorceu a bíblia para enganar o “povo de deus”, mas analisando a maneira como os islâmicos utilizaram a bíblia para inventar uma nova religião eu diria que foram mais coerentes do que os cristãos quando utilizaram o velho testamento para inventar o cristianismo. 
O fato é que sem o amparo das escrituras bíblicas dificilmente Maomé conseguiria atrair tantos seguidores. É a mesma coisa com o cristianismo, se os cristãos não tivessem alicerçados a figura de Jesus no velho testamento o cristianismo já teria desaparecido sem sequer cruzar as fronteiras de Israel. 

Os católicos repudiam os protestantes, alegando que eles cometem heresias diversas e foram os maiores assassinos na época da inquisição, um debate onde homens que dizem seguir o deus de amor disputam que matou menos pessoas em nome da religião. Mas os protestantes saíram de onde? Se não existisse a igreja católica não existiria o protestantismo. Compreende onde eu quero chegar?

Essa é uma questão pouco abordada, até mesmo pelo temor de represálias. Poucas pessoas param para pensar nas conseqüências trágicas que a divinização de um livro mitológico pode trazer para a humanidade, e isso não é nenhum tipo de “teoria da conspiração”, é uma realidade, uma triste realidade. 

A história do povo judeu é marcada por guerras territoriais, o velho testamento é um relato de carnificinas praticadas em nome de um suposto deus, o cristianismo gerou o catolicismo e o protestantismo que em conjunto perseguiram, torturaram e assassinaram milhares de pessoas, o islã suscitou os radicais islâmicos que promovem as atrocidades que vemos todos os dias nos noticiários. 

Fica aqui uma pergunta para reflexão: será apenas coincidência ou tudo aquilo que é criado através da bíblia gera um verdadeiro banho de sangue?

- Rafael Marques Elias - 23/02/2015



Ilustração do profeta Maomé recebendo a visita do Anjo Gabriel