Paulo NÃO era Judeu de nascimento

08/03/2017 12:08
Podemos constatar que há boas possibilidades de que Paulo fosse um cidadão romano e não judeu. Veremos agora mais evidências que apoiam o argumento de que Paulo não nasceu e nem foi judeu, mas que se considerava como tal e inclusive pode ter se convertido ao judaísmo mais tarde, com a finalidade de levar à transcendência sua ideologia particular. Recordemos que Paulo era (segundo suas próprias palavras) cidadão romano de nascimento. 
 
Atos 22:27-28 27 - E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim. 28 - E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento. 
 
Mas podia Paulo ser Romano e Judeu ao mesmo tempo?  
Em primeiro lugar, é evidente que se Paulo era um judeu nativo, não podia ter esta cidadania naqueles tempos. Nenhum judeu do Oriente era cidadão romano, pela excelente razão de que ao aceitar essa condição era expulso imediatamente da nação judaica, além de se submeter a terrível cerimonia do herem ou expulsão definitiva, que afetava tanto a vida presente como a futura. Todo cidadão romano devia participar do culto aos deuses do Império, em especial ao das divindades tutelares da cidade de Roma, e lhe estava proibido participar de cultos dedicados às divindades estranhas e não reconhecidas pelo senado romano, menos ainda ao de uma divindade ilícita. Ou seja, que se o culto a Yavé, deus único assimilado por Roma a Zeus, permitia aos mais altos dignitários do Império fazer oferendas no Templo de Jerusalém, a um judeu nativo não lhe era possível fazer o mesmo com respeito aos deuses de Roma, como Vesta, Apolo, Vênus, antepassados da gens Julia, os Dea Genitri e, especialmente, os Dea Victoria. Um Romano podia adorar ao Deus judeu-cristão, mas um judeu jamais poderia adorar a um deus romano. Mas e o que dizer de um judeu nativo que durante anos se dedicou a fazer triunfar o culto de certo rebelde chamado Jesus, crucificado por um procurador romano por ter a pretensão de ser "rei dos judeus”? E que este mesmo judeu proferiria injúrias e blasfêmias aos deuses do Império: "Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses." (Gálatas 4:8), ou "Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios.” (1 Coríntios 10:20). 
É simplesmente incrível! 
 
Se Paulo, um Romano de nascimento houvesse atentado contra o império romano se trataria efetivamente de um caso de agitação política oculta sob um aspecto externamente religioso, como ressaltavam os membros do Sinédrio, já que a lei judaica qualificava de “crimen majestatis” tudo o que constituía, de perto ou de longe, “um atentado contra o povo romano ou a ordem pública” e declarava culpável por este crime a “qualquer um que, com o auxílio de homens armados conspire contra a república, ou pelo qual surjam sedições”.  
 
Por outra parte, se Paulo era de fato um “não judeu” de origem, se foi circuncidado adulto, podia ser perseguido segundo os termos das leis romanas no caso em que esta circuncisão houvesse sido efetuada a pedido seu, depois de haver sido admitido à cidadania romana. As Leis do Império não proibiam a um cidadão romano sua conversão ao judaísmo, mas não aceitavam todas as suas consequências. Se um prosélito se encontrasse diante de uma das obrigações a que os judeus de origem estavam dispensados (como o serviço militar, por exemplo), não estaria coberto por esse privilégio judaico. Tampouco podia recusar participar do culto aos deuses do Império sem correr o risco de ser acusado de ateísmo. Sem margem para dúvidas. Paulo não ignorava nada disso e se necessário sempre poderia existir alguém que o delatasse diante da autoridade ocupante. Mas em Roma, diante do tribunal imperial, Paulo sabe que gozaria da influente proteção de Séneca, irmão do procônsul Gálio, quem tão misteriosamente o havia protegido em Corinto. Ele põe todo seu interesse em ser conduzido à capital do Império. Quem, naquela época, não acalentaria semelhante sonho?  
 
E como coroação a essas relações e a essas lisonjeiras proteções para Paulo, depois de Félix e Drusila, vêm à Cesárea Marítima o rei Herodes Agripa II e a princesa Berenice, sua irmã, quem depois de ter enviuvado de Herodes de Cálcis vive incestuosamente com ele. Ambos são irmãos de Drusila e, portanto, cunhados do procurador Félix. As duas mulheres são célebres por sua beleza. A família está assim completa e podemos supor que foi Paulo o motivo desta reunião. Curiosidade? Sem dúvida, mas também há outro motivo. O tom das conversas é bastante amistoso e a chegada do casal real deve ter causado sensação: “E, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com muito aparato, entraram no auditório com os tribunos e homens principais da cidade, sendo trazido Paulo por mandado de Festo.”. (Atos 25:23)
 
Esses tribunos eram cinco e cada um deles estava no comando de uma das cinco cortes de veteranos acantonados em Cesareia. Quanto interesse e quanta preocupação por esse suposto “tarsiota”, antigo deportado e antigo escravo do Império! Vejamos uma prova mais de que não era um judeu de origem. Os sacerdotes tomavam para si e para sua família certas partes das oferendas e sacrifícios, porque deviam viver do altar, tanto dos donativos diretos como dessas partes extraídas das oferendas. Mas jamais se subentendeu que, ao consumir o cordeiro sacrificado durante a grande Pascoa anual, as famílias judaicas devoraram a Yavé, o deus de Israel, o eterno! Enunciar semelhante hipótese caberia castigo como ao pior dos sacrilégios.  
 
Pois bem, Saulo sustenta esta ideia. E não só a sustenta, como a ensina, a afirma, a justifica e a põe em prática:  
1 Corìntios 10:15-19 15 - Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo. 16 - Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? 17 - Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão. 18 - Vede a Israel segundo a carne; os que comem os sacrifícios não são porventura participantes do altar? 19 - Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? 
 
Nesta passagem Saulo nos demonstra que:  
1. Crê em um uso de origem absolutamente pagão: a comunhão com os deuses mediante a ingestão parcial das oferendas;  

2. Não se considera como um israelita, segundo a carne se situa aparte, com os gentios aos que se dirige;  
 
 
3. O que afirma é um absurdo: a comunhão com o altar, ou seja, com o deus de Israel, compartilhando as vítimas dos sacrifícios entre deus e os sacerdotes. E semelhante ignorância, semelhante heresia é impensável por parte de um homem que se vangloria de ter passado o tempo de seus estudos aos pés de Gamaliel, neto do grande Hillel e célebre doutor (Atos 22:9).  
Mais ainda, desenvolve sua teoria eucarística justificando-a mediante esses mesmos costumes pagãos:  
1 Coríntios 10:19-22  19 - Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? 20 - Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. 21 - Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. 22 - Ou irritaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que ele? 
 
Por que Paulo sente a necessidade de esclarecer que "da descendencia de Abraão", ele é "a semente de Israel"? Porque, se mesmo naquela época (séculos IV e V), em certas esferas eruditas se sabia que ele tinha origens edomitas, e que foi o príncipe da casa de Herodes, os escribas anónimos que puseram as palavras na sua boca quiseram a todo custo abafar o assunto. Na verdade, neste caso, teria sido também "da descendencia de Abraão", mas pela linha de Ismael, o primeiro filho de Abraão, parido por sua serva Hagar, serva de sua mulher estéril Sarah, e foi o tronco a nação árabe. E então não seria judeu, e não podia atrever-se a insinuar que Jesus teria tomado como um décimo terceiro apóstolo a um não judeu. Assim que o escriba anônimo que "corrige" o texto primitivo de Atos no século IV e início do século V também se esforça a todo custo em se livrar da verdade desagradável. Daí a anormal insistência sobre o caráter hebraico de Paulo, repetida em três ocasiões, e ressaltada pela indicação de tribo e seita. 
 
São Jerônimo se mostrará muito mais categórico no que se refere ao nascimento em Giscala:  
“O apóstolo Paulo, chamado antes Saulo, deve ser contado aparte dos doze apóstolos. Era da tribo de Benjamim e da cidade de Giscala, na Judeia. Quando esta foi tomada pelos romanos, emigrou com seus pais a Tarso, na Cilicia, e depois foi enviado por eles a Jerusalém, para que estudasse ali a Lei, e foi instruído por Gamaliel, homem muito sábio, ao que Lucas recorda”. (Cf. Jerónimo, De viris illustribus (Caput V), M. L. XXIII, 615-646.). Seja como for, o apelido de “tarsiota” dado a Paulo tem sua origem simplesmente pelo meio que supostamente utilizou para sua suposta fuga. Recordemos que fugiu de Damasco de noite, em um cesto grande (Atos 9:25) e (2 Coríntios 11:32-33). Porque em grego tarsos significa “panela, cesto”. Saulo de Tarso significa, na realidade, “Saulo do cesto”, apelido humorístico. Coisa que já fazia pressagiar as afirmações contraditórias sobre seu nascimento em Giscala, na alta Galileia. Em conclusão, voltemos às nossas afirmações precedentes, a saber, que Saulo-Paulo não era judeu de origem. Disso resulta que nada se opõe a que fosse cidadão romano.  
 
- Paulo buscou e insinuou seu judaísmo com o objetivo de acercar-se dos judeus e imporlhes sua própria ideologia pessoal à base de mentiras, manipulações e manobras obscuras. Típico de Paulo (ou da igreja)...